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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Análise de Louvores: Ressuscita-me - Aline Barros

Nosso blog tem registrado um aumento gradual de visitações nos últimos tempos, mesmo sem grandes atualizações. Analisando a questão, percebemos que este aumento se deve à procura e interesse pelas Análises de Louvores. Estas Análises são basicamente avaliações bíblicas e teológicas das músicas que tem tocado em nossas rádios e televisões, buscando compreender se elas são corretas biblicamente e se devem ser entoadas nos ambientes eclesiásticos. É um trabalho penoso e muito polêmico, pois atinge os brios de pessoas que têm estas músicas em alta estima. Porém, nossa obrigação é fazer a análise, deixando para cada indivíduo a escolha, agora consciente, se ele entende que a música deve ou não ser entoada.

Hoje, resolvi que irei trabalhar uma das músicas de maior sucesso dos últimos tempos: Ressuscita-me, de Aline Barros. É uma melodia fácil, que atrai muitas pessoas. Sua letra traz palavras bem interessantes, porém ela contém alguns problemas que sentimos que devemos relatar.

Então, sem mais delongas, vamos à música, que possui 3 estrofes básicas que se intercalam durante a música:

Mestre, eu preciso de um milagre
Transforma minha vida, meu estado
Faz tempo que eu não vejo a luz do dia
Estão tentando sepultar minha alegria
Tentando ver meus sonhos cancelados
Lázaro ouviu a Sua voz
Quando aquela pedra removeu
Depois de quatro dias ele reviveu
Mestre, não há outro que possa fazer
Aquilo que só o Teu nome tem todo poder
Eu preciso tanto de um milagre

Remove a minha pedra
Me chama pelo nome
Muda a minha história
Ressuscita os meus sonhos
Transforma a minha vida
Me faz um milagre
Me toca nessa hora
Me chama para fora
Ressuscita-me

Tu És a própria vida
A força que há em mim
Tu És o Filho de Deus
Que me ergue pra vencer
Senhor de tudo em mim
Já ouço a Tua voz
Me chamando pra viver
Uma história de poder

O primeiro problema da música, bastante nítido, é fazer uma leitura alegórica do relato da ressurreição de Lázaro (João 11), comparando o ato profético e messiânico de Jesus ao ressuscitar um morto de 4 dias (segundo os fariseus, a alma de um homem abandonava definitivamente após o terceiro dia) com a necessidade que nós temos de recebermos um "milagre". A ideia do autor da música é simples: O mesmo Jesus que fez um homem ressurgir após todo o conhecimento humano considerar impossível pode fazer com que nossos problemas sejam solucionados. Nada de mais aqui, porém é simplificar por demais o significado do ato da ressurreição de Lázaro.

A partir desta característica da música, podemos perceber que ela tem traços antropocêntricos, pois mostra uma pessoa reclamando com Deus que sua alegria foi "sepultada" porque seus sonhos não estão sendo atendidos. O problema desta parte da música reside no fato de que nem tudo o que sonhamos é da vontade do Senhor. Por mais que achemos que Deus tem que fazer a nossa vontade, a Bíblia nos mostra que devemos nos sujeitar à vontade de Deus (a oração do Pai Nosso e a própria disposição de Jesus antes da crucificação demonstram isso). Desta forma, precisamos pensar se os nossos sonhos são verdadeiramente sonhos que possuem caráter divino ou se são sonhos baseados em nossos interesses e desejos carnais, pecaminosos.

O refrão segue a ideia da primeira parte da música e contém uma grave heresia: Tirando a 4ª frase (ressuscita meus sonhos), o refrão inteiro dá a impressão que quem a está entoando está morto. Ora, sabemos pela Palavra de Deus que Jesus é a vida, logo quem está Nele está vivo. Declarar, ao entoar a música, que você está morto e precisa de ressurreição é declarar que a ação de Deus em sua vida não foi completa, é declarar que o sacrifício de Cristo não foi completo, é declarar que a sua salvação não é plena e é declarar que vida, para você, significa ter seus sonhos, desejos e vontades atendidos. Fico imaginando, ao ler este refrão, como os mártires da igreja, aqueles que padeceram durante as diversas perseguições que a igreja enfrentou, imaginariam se soubessem que as pessoas entoam estas canções hoje em dia. Vários deles tiveram seus sonhos cancelados, suas vidas abreviadas, mas o fizeram sorrindo, por saber que sua verdadeira alegria estava em saber que iriam viver com o Senhor eternamente (Filipenses 3.19-20).

Incluindo a 4ª frase no refrão, a música muda levemente de tom, porém mantém o antropocentrismo de suas palavras. Ao fazê-lo, fica claro que o autor está declarando que quem não tem seus sonhos atendidos não é feliz e está morto. Este tipo de louvor triunfalista gera crise nas pessoas, especialmente quando seus desejos não são atendidos, pois culpam a Deus, negando sua existência ou efetividade, sem se preocupar em considerar a possibilidade de que Deus possui outros planos, ainda melhores, que a pessoa nunca sequer cogitou (1 Coríntos 2.9).

A parte final do cântico mantém o tom triunfalista da música, declarando que Jesus é o Filho de Deus para "nos erguer para vencer", nos chamando para "viver uma história de poder". Tais frases seriam verdadeiras biblicamente se não estivessem diretamente associadas ao antropocentrismo da música. Vencer, segundo o contexto deste louvor, é ter nossos sonhos atendidos. Viver uma história de poder, segundo esta música, é ter nossos sonhos atendidos. Porém, nossa vitória absoluta foi contra a morte, pois Jesus, com a sua própria morte, nos concedeu a vida eterna, e viver uma história de poder é ser usado por Deus como canal de bênçãos na vida das pessoas, transmitindo as boas novas da vida, morte e ressurreição do filho de Deus por nós para aqueles que ainda não o conhecem. Atrelar uma vida vitoriosa ao mero cumprimento de nossos desejos humanos é temerário e simplifica por demais a vida cristã.

Por fim, se tivéssemos que corrigir este cântico ou orientá-lo para um momento específico, eu diria que esta música poderia ser usada apenas em momentos de apelo, após mensagens evangelísticas que façam uma análise correta da questão da morte e vida espirituais. Neste caso, poderia ser utilizada uma mensagem ou ministração que mencionasse que os sonhos de Deus para nossas vidas são os melhores, que seguir a vontade de um Pai Onisciente e Todo-Poderoso é o melhor que podemos fazer, e que devemos buscar descobrir os sonhos que Deus tem para nós, de forma a vivermos uma vida espiritual satisfatória e plena. Somente desta forma, e mesmo assim com ressalvas, eu creio que este louvor poderia ser entoado em nossas igrejas sem causar confusões na mente dos membros.

Como diria o outro: Pronto, falei. Sei que muitos questionarão esta análise, porém espero que ela leve a uma reflexão sobre a música e a uma decisão esclarecida sobre como ela deve ser entendida e entoada.

4 comentários:

  1. Concordo com sua análise, hoje em dia a igreja esta com a visão totalmente deturpada e corrompida a respeito da salvação! Cristo veio para nos salvar, e devemos anunciar boas novas, e isso nada tem haver com nossos próprios complexos... devemos trabalhar isso antes! ótimo post, pretendo divulgá-lo!

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  2. (Lázaro ouviu a Sua voz, Quando aquela pedra removeu, Depois de quatro dias ele reviveu) Errado a bíblia nos diz que Lázaro saiu no mesmo instante para fora, se você conhece essa historia tem o entendimento que esta letra fala do tempo de morto mas se não conhece entende que passaram 4 Dias que Lázaro ouviu a voz de Jesus e ao findar de esse tempo ele reviveu. Muita erros teológico nesta novas canções gospel fica difícil canta morreu hinos deverda como esse (por ele vive posso crê no amanhã porque ele vive temor não hã mas eu bem sei eu sei que a minha vida esta nas mão do meu Jesus que vivo esta)

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