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sexta-feira, 30 de março de 2012

Parâmetros paulinos para uma vida ministerial saudável (2 Co. 11.22-30 - Mensagem Seminário do Sul 28/03/2012)

Todos aqui sabem que a vida de um ministro não é fácil. Seja ministro da palavra, seja ministro de música, seja educador, o fato é que as demandas impostas pela igreja naqueles que decidiram dedicar boa parte de suas vidas ao serviço do Senhor são gigantescas. É preciso separar tempo pra se aprimorar, para estudar, para cuidar do outro, para realizar o serviço da igreja e para cuidar de suas famílias. Se trabalhar fora, a carga aumenta ainda mais.

Por ser pastor auxiliar, de meio período, e estudante de pós-graduação, consigo ter alguns vislumbres da carga de trabalho pastoral. Brinco que estou quase virando adventista, pois meus dias de descanso têm sido os sábados. Há dias que não há como levantar da cama cedo. É uma vida dura, porém satisfatória, pois vejo os frutos da ação de Deus em minha vida.

Hoje, gostaria de meditar com vocês sobre um outro homem que também lutou e trabalhou para que o evangelho fosse divulgado. Seus ensinamentos foram tremendos, porém seu exemplo de vida me fortalece e orienta, quando nos identificamos com o que ele passou.

Quando estudo a vida e o ministério de Paulo, para identificar alguns parâmetros para seguir, me identifico com o texto de 2 Co. 11.22-30, que transcrevo abaixo:

São eles hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também. São eles servos de Cristo? — estou fora de mim para falar desta forma — eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar.

Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez.

Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas.  Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro? Se devo me orgulhar, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza.

Ao ler esta mensagem, percebo alguns parâmetros de conduta para o meu ministério, e que acho serem boas dicas de como devemos encarar a vida ministerial:

1. Reconhecimento de que as lutas vêm a todos: Vejam a lista de situações pelas quais Paulo passou: Açoites, varas, apedrejamento, naufrágios, fome, sede, nudez, frio. Se lêssemos esta história, poderíamos certamente afirmar que Paulo passou necessidades em vários momentos de sua vida. Porém, em Fp. 4.13, vemos que isso tudo era uma forma dele reconhecer que tudo o que ele enfrentava, poderia encarar porque Deus o fortalecia.

2. Preocupação com as comunidades onde trabalhamos: Paulo menciona sentir uma pressão interior, por se preocupar com as igrejas, seu estado, as lutas que enfrentavam. Ele luta pelas igrejas (Cl. 2.1), sem se importar com a própria vida (At. 20.21ss). Várias de suas cartas continham ensinamentos para impedir que as comunidades descambassem para uma visão deturpada do evangelho, visavam torná-las comunidades saudáveis.

3. Alteridade para se preocupar com suas ovelhas: Paulo mostra se importar com o outro, falando que se sente fraco ao ver outro irmão se sentindo fraco, dizendo que se ira ao ver um irmão escandalizado com alguma coisa. Seu ensino em 1 Co., ao falar que “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, deve ser levado ainda mais a sério por nós, ministros, pois somos responsáveis pelo discipulado e ensino daqueles que estão começando suas caminhadas na fé. Também precisamos nos preocupar com nossas equipes, nossos liderados, de quem dependemos e a quem devemos alimentar.

4. Humildade para reconhecer nossas fraquezas: Muitos de nós, ministros, temos uma visão muito distorcida de nós mesmos. Por conhecermos um pouco mais, por termos um pouco mais de habilidade, nos achamos melhores do que os outros. Paulo diz que se orgulhava de suas fraquezas, e isso deve nos servir como guia, pois reconhecendo nossas fraquezas, conseguimos trabalhá-las e pedir ajuda a colegas que nos ajudem a superá-las.

Conclusão: Não há como ter uma vida ministerial saudável sem olhar o próximo, sem reconhecer nossas fraquezas e mazelas, sem nos preocupar com a integridade da comunidade onde trabalhamos. Se não seguirmos essas diretrizes, corremos o risco de nos tornar animadores de auditório, gerentes de empresa eclesiástica, pessoas inacessíveis ao povo em geral, que gosta e quer ter contato conosco.

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