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segunda-feira, 12 de março de 2012

Mensagem: Igreja e Sociedade – Por uma relação saudável (mensagem pregada no lançamento do livro Nazismo e Cristianismo na PIB Grajaú, em 11/03/2012)

Texto-base: Romanos 13.1-7

Introdução: A relação entre o cristianismo e a sociedade nunca foi muito estável. Ao longo da história, agimos de formas diferentes para com ela. Uns defendem a separação total da igreja. Outros defendem sua contextualização no mundo em que vivemos. Nesta competição, vemos extremos de um lado (pessoas que só tomam banho de roupa, pois não querem estar nus quando Jesus voltar) ou de outro (igreja que batizou membros usando um tobo-água).

Nessa dinâmica de relacionamento, a igreja passou por diversas fases, onde sua relação com a sociedade, e em especial com as autoridades que as regiam, de maneiras distintas:

1.    Igreja Perseguida: Épocas, locais ou momentos onde o cristianismo era considerado como uma posição adversária ao posicionamento reinante e era atacada por isso, numa tentativa de extinguí-la. Exemplos: Roma antiga (religio ilícita), União Soviética, Coréia do Norte atual.
2.    Igreja Tolerada: A posição mantém-se adversária, porém a instituição é tolerada por permissões estatais, com condicionantes ou não. Exemplos: Roma antiga (antes da expulsão da sinagoga), China atual (desde que registrada pelo Estado).
3.    Igreja Dominante: A Igreja consegue uma maioria de seguidores e passa a alçar aos postos de poder político. Exemplo: Roma pós-Constantino, EUA, Brasil.
4.    Igreja Perseguidora: Quando a Igreja passa a tentar destruir as visões contrárias às suas, perseguindo seus opositores. Exemplos: Idade Média, Inquisição, Europa católica média e moderna.

Quando estudamos a história da igreja, percebemos que algumas situações nos causam estranhamento. Por exemplo, na época do nazismo, uma rápida pesquisa nos revela que 95% do país era cristão, sendo 55% protestante. A pergunta que fica é: Como este grupo permitiu que uma atrocidade como a que aconteceu com os judeus fosse à frente?

A resposta que vem, quando estudamos o tema, é que a igreja da época decidiu tomar uma postura nada saudável em relação à sociedade. Ao perceber que o nazismo ascenderia ao poder, aquele grupo decidiu que apoiaria o novo governo, fazendo de tudo para manter seu status quo como uma Igreja Dominante, e utilizou o texto-base de nossa mensagem para convencer os membros a aceitarem o novo regime. A situação cultural era de devassidão e libertinagem na década de 20, por isso, quando o nazismo vem com uma proposta de valorização da família e dos bons costumes, a igreja os abraça imediatamente, não medindo esforços para tal.

Seria essa a postura correta? Deveria a igreja associar-se com as autoridades reinantes para manter seu status quo? Até onde podemos ir, em nossa relação com a sociedade? O texto de Romanos 13 pode ser usado para justificar a postura da igreja alemã? Resolvi procurar outras respostas na Bíblia e encontrei alguns pontos, que gostaria de compartilhar com os irmãos sobre o tema.

1.    A Igreja não é deste mundo, nem deve usar as armas deste mundo (Ef. 6.11-18).

Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.

Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz.


Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.

Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. Efésios 6:11-18


A igreja deve lutar contra os males deste mundo mediante a oração, a fé, a divulgação do evangelho de Cristo, com paciência, paz, amor, serenidade. Lutar com as mesmas armas que a sociedade luta não leva a nada. 

2.    A Igreja deve manter seus ensinamentos, mesmo quando vão contra a posição reinante na sociedade (At. 5.27-32).

Tendo levado os apóstolos, apresentaram-nos ao Sinédrio para serem interrogados pelo sumo sacerdote, que lhes disse: "Demos ordens expressas a vocês para que não ensinassem neste nome. Todavia, vocês encheram Jerusalém com sua doutrina e nos querem tornar culpados do sangue desse homem".

Pedro e os outros apóstolos responderam: "É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens! O Deus dos nossos antepassados ressuscitou Jesus, a quem os senhores mataram, suspendendo-o num madeiro. Deus o exaltou, colocando-o à sua direita como Príncipe e Salvador, para dar a Israel arrependimento e perdão de pecados. Nós somos testemunhas destas coisas, bem como o Espírito Santo, que Deus concedeu aos que lhe obedecem". Atos 5:27-32


O grande perigo da contextualização da mensagem está na sua deturpação. A ressignificação dos elementos da mensagem não pode vir da modificação dos valores.

3.    A Igreja deve confessar a Cristo, não importando as consequências (Ap. 2.10,13; 20.4).

Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. Saibam que o diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida. Apocalipse 2:10

Sei onde você vive, onde está o trono de Satanás. Contudo, você permanece fiel ao meu nome e não renunciou à sua fé em mim, nem mesmo quando Antipas, minha fiel testemunha, foi morto nessa cidade, onde Satanás habita. Apocalipse 2:13

Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos. Apocalipse 20:4

Evangelho de auto ajuda não presta pra nada, porque auto ajuda é opinião. A Bíblia é autoridade de fé e prática, a partir da interpretação cristológica. Abandonando a Cristo, abandonamos a essência de nossa fé. 

Mas e quanto ao texto? Bem, o texto foi escrito na década de 50, quando o cristianismo ainda era visto como uma seita judaica. Desta forma, era considerada uma religio licita, uma religião autorizada pelo império para funcionar com certas regalias, sendo a principal a isenção da participação no culto ao imperador. Desta forma, o texto de Paulo em Romanos 13 não trata da questão do relacionamento com as autoridades sob perseguição, mas sim no trato com autoridades que a veem como uma religião tolerada. Além disso, o texto não diz que o cristão pode dobrar seus ensinamentos para se moldar à sociedade. Entre Cristo e a sociedade, entre a Bíblia e a razão, o cristão deve manter seu foco em Cristo. 

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